E agora, que se fala por aí tanto em auto-estima, aqui vai mais uma parábola, de autor desconhecido, acabadinha de chegar dos Brasis, enviada por email amigo e traduzida para luso-português por myself. A dita tradução, que foi radical, deu-me muito trabalho, sorveu-me muitas energias e um tempo precioso que poderia ter sido ocupado a ...comer tremoços. Portanto, não se aceitam reclamações por eventuais erros, vírgulas mal-postas, falhas de estilo e outros etcs. Quem gostar gosta. Quem não gostar... olhem, coma tremoços, se quiser.
Um jovem, sem levantar os olhos do chão e a tremer ligeiramente a voz, dirigiu-se ao velho e sábio Mestre:
«Venho aqui, professor, porque me sinto tão desajeitado e parvo que já nem sei o que fazer. Toda a gente me diz que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo, um nabo, um idiota chapado... Como posso mudar? O que posso eu fazer para que me valorizem mais?»
O professor, sem sequer o olhar, disse: «Sinto muito, jovem, mas não te posso ajudar, estou demasiadamente ocupado com um problema meu muito importante. Desenrasca-te, que tenho mais que fazer.»
Já o moço, cabisbaixo, ia a sair a porta da rua quando o velho e sábio mestre o chamou:
«Olha, anda cá... Fazemos um contrato. Se tu me ajudares a resolver este meu importante problema com mais rapidez, talvez eu te possa ajudar depois.»
«C...claro, professor», gaguejou o jovem, a sentir-se mais desvalorizado e rebaixado que nunca e sem saber bem o que dizer.
O professor tirou um anel que usava no dedo anelar, deu-o ao rapaz e disse:
«Vai até aos centros comerciais, aos cafés, pelas ruas, por onde quiseres... Mas tens de vender esse anel, pois eu tenho uma dívida por saldar e preciso de dinheiro urgente. Esforça-te por obter pelo anel o máximo, mas não aceites menos de cinquenta Euros. Vai e volta com o dinheiro o mais rápido possível.»
O jovem pegou no anel e partiu. Apesar de todos os esforços e rebuscados adjectivos que utilizava para valorizar a beleza do anel, a qualidade do material, a oportunidade única de tal aquisição, os potenciais compradores olhavam a “mercadoria” com algum interesse mas, mal o jovem mencionava o preço, desatavam a rir e viravam costas.
Só um velho reformado que andava por ali a ver as montras, talvez porque não tinha nada mais para fazer e gostava de conversar, se deu ao trabalho de explicar que o anel, por ser usado e de metal dourado, mera imitação de ouro, estava longe de valer tanto dinheiro. «Por dez Euros ainda sou capaz de ficar com o anel...», acrescentava o reformado. Mas o rapaz recusou. Cinquenta Euros era o mínimo, tinha-lhe dito o professor.
Já anoitecia quando o desgraçado moço, abatido pelo fracasso, voltou à casa do Mestre para lhe devolver o anel. Pelo caminho, enquanto contava os miseráveis trocos que tinha nos bolsos, o moço (para além de atado era pelintra) ia pensando: Se eu tivesse os cinquenta Euros, eu próprio ficava com o raio do anel... Livrava-me de mais esta vergonha de não ter conseguido desembaraçar-me da tarefa e recebia os sábios conselhos do professor...
Já em casa do Mestre, disse: «Professor, sinto muito, mas desisto. O máximo que me ofereceram pelo anel foi dez Euros. Garantiram-me que era uma reles imitação de ouro e eu acho que não devo tentar enganar ninguém sobre o valor real do anel.»
«Disseste uma coisa muito importante, jovem», contestou sorridente o Mestre. «Devemos saber primeiro o valor real do anel. Vai até ao joalheiro. Quem melhor para saber o valor exacto do anel? Diz-lhe que queres vendê-lo e pergunta quanto ele te dá. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o vendas. Volta aqui com o meu anel.»
O jovem foi até ao joalheiro. Este examinou o anel com uma lupa, pesou-o e disse: «Diga ao seu professor, se ele quiser vender agora, que ofereço 250 Euros por este anel de ouro.»
Surpreso e emocionado, o moço voltou para casa do professor com a boa notícia.
Então o professor, depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, disse:
«Tu és como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um especialista no assunto. Pensavas que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?»
E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo e acrescentou:
«Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos pelos mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.»
Publicado por vmar em janeiro 18, 2004 08:43 PMPara além de nos descobrirmos, dá um jeito ter um bom joalheiro e já agora alguma ajudinha de hipotéticos mestres...às vezes podem ser os amigos, ou quem sabe um insignificante blogue...
Morfeu.
Afixado por: morfeu em janeiro 18, 2004 10:19 PMMuito interessante e pode muito bem servir para
refletirmos sobre a nossa auto-estima. Qual de nós não tem por vezes atitudes de se menosprezar?
Com os putos das jotas é ao contrário... pensam-se de ouro e mais parecem ...ooops... já perceberam?!...
Um abraço angustiado,
Francisco Nunes